Páginas

sábado, 11 de julho de 2009

FUNCIONALISMO PÚBLICO?

Semanas atrás encontrei um ex-colega de turma num restaurante. Conversamos sobre as aulas que tínhamos, os debates acalorados, as viagens, família, vida e futuro. Ao tratarmos de futuro, quis saber o que fazia. Viera a Assis reunir documentos para soldado ou oficial da polícia militar, não me lembro se daqui ou de outro estado.

Estranhei a informação. Se, no passado, alguém me perguntasse o que faria no futuro, responderia que ele poderia ser um micro-empresário, professor de educação física, dono de restaurante italiano, educador infantil ou missionário na África. Pensaria em tudo, menos em policial militar.

Nada tenho contra a polícia, porém a idéia de arriscar a cabeça e comprometer o destino da família não me agrada. O salário de policial não compensa os perigos. Disse-me que não enriqueceria, mas que receberia vencimento idêntico ao de professor e ao de médico, estudando menos que o primeiro, trabalhando menos que o segundo, livrando-se de impostos mais rápido que os dois juntos.

A estabilidade e o salário pontual no serviço público despertaram-lhe a atenção. Como policial militar, estudaria nas horas vagas e prestaria concurso para o judiciário. Antes que lhe perguntasse por que o judiciário – e não o executivo ou o legislativo –, justificou sua escolha friccionando o indicador ao polegar: dinheiro.

Espantei-me com sua objetividade. Meu amigo estava certo. Quantos médicos não são massacrados diariamente em seus postos de trabalho? Se o poder público não consegue resolver os problemas da segurança pública em nossa região, resolveria o problema dos baixos salários dos médicos e da violência nos postos de saúde?

Quantos professores não se arriscam diariamente para lecionar para deliquentes que, entregues aos agentes administrativos competentes para reeducação, voltam debochadamente às salas de aula causando medo e revolta, esmagando psicológica e fisicamente professores, funcionários e colegas da maneira mais violenta?

Se, por um lado, temos milhares de servidores públicos (professores, médicos, enfermeiros, soldados, psicólogos sociais, policiais, bombeiros, garis etc) desempenhando funções louváveis em cargos mal remunerados, por outro, temos, no mesmo quadro de funcionários públicos, agentes administrativos e políticos que deveriam prestar serviços satisfatórios e de proteção à sociedade, porém se omitem ou demoram a desempenhar eficientemente suas funções.

Lembro-me de dois casos de qualidade no serviço público. Um: Marcio Alexandre da Silva. O professor de filosofia diariamente convida seus alunos a participarem da reflexão filosófica didática e proveitosamente. Alguns dos trabalhos dos alunos saíram em encarte de uma revista de filosofia de abrangência nacional mostrando aos discentes – e a muitos docentes – que a atividade intelectual não se esgota na sala.

Outro caso: uma das varas cíveis da comarca de Assis. A iniciativa do cartório de uma dessas varas aumentou a qualidade do serviço prestado, diminuindo o tempo de tramitação de processo, agilizando a prestação jurisdicional e possibilitando a aplicação eficaz do Direito.

O professor de filosofia e esses serventuários da Justiça devem ser ovacionados pela população não apenas de Assis, mas de toda a região. São funcionários públicos que contribuem maciçamente com a sociedade aplicando, na prática, os princípios constitucionais da eficiência, da publicidade e da moralidade na Administração Pública.

Mas, pergunto ao leitor: será que todos os funcionários públicos são assim? Você está satisfeito com os serviços públicos prestados? Você acha que a Educação, a Saúde, a Segurança Pública, o Poder Judiciário, o Ministério Público, as Policias Civil e Militar correspondem aos impostos que você paga? A maioria responderá negativamente. Também vejo que os impostos pagos não compensam muitos serviços públicos prestados que deixam a desejar na qualidade, na eficiência e no resultado.

Na próxima quinta-feira, neste mesmo espaço, vamos analisar o caso da Procuradoria da República em Assis.

*Publicado originalmente no Jornal de Assis (Assis – SP) de 9 de julho de 2009.

2 comentários:

Anônimo disse...

como sempre, prof., um artigo de lucidez e de análise crítica.
João Luis marília sp

Anônimo disse...

muito bom fiquei sua leitora depois das denúncias contra o desmando em maracaí
carolina sexto ano