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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Esperança

Ouvia a conversa de duas senhoras na fila do supermercado. Uma delas aconselhava a outra a ter paciência. A esperança curava qualquer problema no momento da solução. Obviamente, acredito eu. No momento da solução, qualquer esperança se reforça ou se dilacera, produz alegrias ou sofrimentos. Não?

A única diferença é que, para uns, a esperança integra o cotidiano. Para outros, não passa de quimera. Mas no fim, talvez pelo medo, provavelmente pela insegurança, a esperança se transforma em algo essencial para a vida de todos. Não?

domingo, 21 de setembro de 2008

Das virtudes do fim de semana

Ainda não descobriram uma maneira prática de passar a vida inteira sem se preocupar, mas o filósofo Epicuro afirmava que uma das maneiras de bem aproveitar a vida passava pelo convívio agradável entre amigos.

Num fim de semana chuvoso como este, frios de julho em início de primavera, os amigos são realmente uma maneira de passar o tempo. Uma maneira agradável, diga-se de passagem.

Amigos que vão, amigos que vêm, amigos que se distanciam em função dos objetivos em comum que desaparecem, amigos que se aproximam em decorrência de situação semelhante em que se encontram, amigos que ouvem, amigos falantes - mas não necessariamente extrovertidos, como é o meu caso, uns econômicos, outros prógidos, alguns ranzizas, todos predominantemente felizes.

Enfim, amigos.

sábado, 20 de setembro de 2008

O que fazer numa chuvosa tarde de sábado?

Saí de casa e vim para um lugar onde as pessoas não pudessem me encontrar e os telefones fossem objetos distantes da realidade. Ainda bem que consegui.

Acordei cedo, escrevi mais uma dezena de páginas para a dissertação que serão revistas amanhã e indiscutivelmente sofrerão cortes. Quanto mais escrevemos mais temos a impressão de que não conribuimos em nada com nossa escrita.

Um moça de roupa de frio pergunta a outra o que fazer numa chuvosa tarde de sábado. Que tal assistir a um filme, comer massa e chocolate, beber um vinho trincante, ler algum romance suave ou crônicas frugais? São tantas coisas para se fazer numa tarde chuvosa de sábado...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Jornal de Assis - 1000

O Jornal de Assis, periódico da região de Assis, interior de São Paulo, chega ao número mil e quem recebe presentes pelo alcance do número é o leitor. A partir de hoje, os leitores do Jornal poderão desfrutar de uma inovação gráfica que alia estética atraente e leveza na disposição do espaço interno, promovendo uma leitura mais suave e agradável, sem enfadar o leitor.

Esse é mais um passo que conduz o Jornal de Assis ao patamar dos veículos de comunicação escrita preocupados tanto com a imparcialidade, a verdade e o profissionalismo quanto com quem lê o jornal.

Parabéns Jornal de Assis!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Quem frequenta a USP?

Como falei na última postagem, passei a semana passada na cidade de São Paulo, participando de um congresso na USP.

Durante os poucos dias em que estive no campus, percebi que aquela instituição de ensino é realmente uma universidade de elite. Sim, de elite financeira.

Fiquei hospedado na casa do meu primo, que fica na zona leste. Para chegar a USP tive de enfrentar três horas de transporte (dois ônibus e um metrô). Gastei dez reais para chegar e, depois, mais dez reais para voltar.

Se um aluno tiver que estudar lá, terá de gastar vinte reais por dia, cem reais por semana, quatrocentos reais por mês. Só de passagem! Quem dispõe de quatrocentos reais mensais para gastar apenas em transporte? Quem se aventura em sair do trabalho direto para uma faculdade para a qual os ônibus e metrô partem lotados, sendo praticamente impossível subir neles em alguns pontos?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Uma semana depois...

Na última postagem fiz algumas considerações sobre Clóvis Bevilaqua, meu objeto de estudo na dissertação de mestrado. Fazer História - assim como fazer Filosofia, Literatura ou Direito - exige fôlego para reunir os elementos do campo historiográfico que, sem dúvida, não são fáceis de colocar no mesmo lugar.

Ontem fiz a apresentação de minha comunicação de pesquisa no encontro da seção paulista da ANPUH (Associação Nacional de História). O encontro, realizado no departamento de História da Universidade de São Paulo, reuniu algumas centenas de historiadores não apenas paulistas. Do meu grupo de apresentação constava a famigerada historiadora Izabel Marzon que tratou de alguns vieses pouco estudados do Joaquim Nabuco.

Na volta para casa - trajeto de três horas de viagem entre a USP e o outro lado da cidade - afloraram entre os pensamentos os grandes nomes que ficaram retidos em pontos da vida por algum motivo e depois se eternizaram. O primeiro que veio foi o de Einstein, reconhecidamente fraco em matemática e em números durante a infância, tornou-se um dos mais brilhantes físicos do mundo.

Depois lembrei do Machado de Assis: quem diria que um homem sem diploma de bacharel, mulato, gago e aparentemente condenado ao anonimato subiria a escadaria literária? E Guimarães Rosa ou Clarice Lispector com suas prosas bem diferentes de todas as demais? Em muitos casos, Lispector foi acusada de hermética. Quando lembro desses casos iniciais, penso: O que é Literatura? Quem são efetivamente os "historiadores"? Finalmente, o que é História?

Muitos outros casos na Literatura podem ser citados - assim como na música, no cinema, no teatro. Quando mais uma vez lembro deles, lembro concomitantemente de um fragmento de Camões que diz qualquer coisa como "senão fosse para tanto, tão curta a vida".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quem conhece Bevilaqua?

Se mencionado apenas o sobrenome, Bevilaqua pode despertar lembranças que vão desde um amigo com nome parecido em algum lugar do interior de São Paulo ou de um dos estados da região Sul até a descoberta de um personagem histórico. Importante ou não.

No meu caso especificamente, Bevilaqua (Clóvis Bevilaqua) é o nome de um jurista cearense que escreveu, entre outras obras, o primeiro Código Civil brasileiro.

Confesso que até meses atrás eu pensava que ele aparecia no cenário político e intelectual da transição monárquico-republicana apenas como um figurante - como figurantes somos todos nós que seremos engolidos pelo Esquecimento. Estava errado. Aos poucos, percebo que Bevilaqua - muito mais do que Rui Barbosa, por exemplo - colaborou no campo das idéias e da intelectualidade.

Será que Bevilaqua será retomado futuramente ou apenas eu o vejo como relevante no cenário historiográfico atual?

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Por falar em cenário historiográfico, alguém já ouviu falar das confluências entre História e Literatura?